Granizo cobre Blumenau como neve e calor de 30°C no inverno: meteorologista explica que é o super El Niño chegando com força

Temporal em 21 cidades do Vale, alerta vermelho da Defesa Civil para 23 municípios (incluindo Gaspar e Ilhota, na foz do Itajaí-Açu). E o pior está por vir: pico do El Niño é nos próximos meses.

VALE DO ITAJAÍ — O temporal de granizo que castigou 21 cidades do Vale na terça-feira (28) — Blumenau, Rio do Sul, Brusque, Guabiruba e outras — não é fenômeno de inverno. É reflexo direto do super El Niño, e a tendência é piorar nos próximos meses. Quem explica é o meteorologista Piter Scheuer: “A gente ainda está no inverno e tudo isso é reflexo do El Niño. Temporais, tempestades com granizo de tamanho médio e grande não são normais para a época do ano.”

O que está acontecendo (e por quê)

O super El Niño esquenta anormalmente as águas do Pacífico Equatorial e desregula o clima mundo afora. No Sul do Brasil, o efeito clássico é mais chuva, mais tempestade severa e menos frio no inverno. É o que Blumenau, Rio do Sul e cidades vizinhas viram na semana passada: chuva intensa, granizo cobrindo ruas como se fosse neve, temperaturas ultrapassando os 30°C em pleno julho.

Segundo Scheuer, um sistema de baixa pressão vem sustentando ventos quentes e úmidos vindos da Amazônia — combustível para tempestades severas quando encontram o ar mais frio do Sul. O El Niño, que já provocou supercélulas com tornados no Rio Grande do Sul e temporais de granizo no Alto Vale, ainda não atingiu força máxima. “Todas as previsões estão se concretizando e a tendência é que isso acabe piorando até nos próximos meses”, disse.

Alerta vermelho da Defesa Civil: 23 cidades

Por volta das 15h30 de terça-feira, a Defesa Civil de Santa Catarina emitiu alerta vermelho — risco altíssimo — para temporais, chuva intensa e granizo em: Dona Emma, Brusque, Guabiruba, Ibirama, José Boiteux, Lontras, Presidente Getúlio, Rio do Campo, Rio do Sul, Salete, Vitor Meireles, Witmarsum, Apiúna, Ascurra, Indaial, Benedito Novo, Blumenau, Doutor Pedrinho, Gaspar, Ilhota, Pomerode, Rodeio e Timbó.

Boa parte dessas cidades fica na bacia do rio Itajaí-Açu — que desagua exatamente aqui. Ilhota e Gaspar são as últimas grandes cidades antes de Itajaí no curso do rio. Quando o Alto Vale enche, tem impacto direto na foz.

Por que Itajaí precisa ligar o radar

Como já mostramos na matéria sobre as três barragens que protegem Itajaí, o que chove no Alto Vale desce em poucas horas até a foz. As barragens Sul (Ituporanga), Oeste (Taió) e Norte (José Boiteux) receberam obras depois de 2023 exatamente para segurar esse tipo de pico — e vão ser testadas agora, se o cenário previsto pelos meteorologistas se confirmar.

Vale acompanhar os alertas da Defesa Civil de SC e, para quem mora em áreas de risco, manter mochila de emergência pronta. O pico do El Niño 2026 está previsto para os próximos meses.

Com informações da reportagem de Yasmim Eble para o ND Mais, com o meteorologista Piter Scheuer.

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