El Niño chega ao Vale do Itajaí: o que já mudou nas três barragens que protegem Itajaí desde 2023

Após a tragédia de 2023, Sul, Oeste e Norte receberam R$ 94,7 milhões em obras — Ituporanga já opera pela internet. Entenda como a bacia é segurada antes de chegar à foz.

Barragem Norte em Jose Boiteux
Barragem Norte, em José Boiteux, é a maior das três estruturas de contenção do Alto Vale. Foto: Roberto Zacarias/Secom SC

ITAJAÍ / VALE DO ITAJAÍ — Os primeiros efeitos do super El Niño já apareceram na última semana em Blumenau e no Vale, com temporais e chuva concentrada. Como Itajaí fica na foz do rio Itajaí-Açu, tudo o que acontece rio acima aterrissa aqui em algum momento — e a resposta que a cidade tem contra grandes cheias mora a mais de 100 km de distância, nas três barragens de contenção do Alto Vale.

Depois da tragédia de 2023, a Defesa Civil de Santa Catarina destravou um pacote de R$ 94,7 milhões para reformar, modernizar e automatizar as barragens Sul (Ituporanga), Oeste (Taió) e Norte (José Boiteux). O plano também prevê uma quarta estrutura, em Mirim Doce, com licitação estimada em R$ 109 milhões já em andamento.

Como cada barragem chega ao El Niño

Barragem Sul — Ituporanga

É a que chega mais pronta. Em outubro de 2025 a reforma completa foi concluída depois de 50 anos de espera: recuperação estrutural, troca das comportas e automação com acionamento remoto. Custou R$ 20 milhões. Segundo a Defesa Civil, está 100% em operação e agora pode ser operada pela internet — a primeira do estado a funcionar dessa forma.

Barragem Oeste — Taió

Depois de 2023, ganhou melhorias no sistema elétrico, tubulações renovadas e novas bombas de drenagem. É a mais antiga das três estruturas do Alto Vale e serve de peça central para segurar a onda que desce do rio Itajaí do Oeste antes de chegar ao trecho médio da bacia.

Barragem Norte — José Boiteux

É a maior e a mais nova. Segura sozinha 357 milhões de metros cúbicos de água — volume superior à soma de Taió e Ituporanga. Fica sobre o rio Hercílio e desempenha o papel mais estratégico na redução dos impactos das enchentes que chegam à foz.

Por que isso importa para Itajaí

Quando chove forte no Alto Vale, a água percorre em poucas horas os rios Itajaí do Sul, Oeste e Norte, se junta em Rio do Sul, forma o Itajaí-Açu e desce até o litoral. O tempo de reação da bacia é curto — e a única maneira de reduzir o pico da cheia antes de chegar em Blumenau, Ilhota, Gaspar e Itajaí é reter parte dessa água nos reservatórios das três barragens.

Por isso o Vale do Itajaí concentra o histórico de grandes enchentes do estado (1983, 1984, 2008, 2011, 2023) e por isso a situação das três barragens é um dos temas mais monitorados sempre que o Pacífico esquenta.

O que ainda falta

A nova barragem de Mirim Doce, prevista para reforçar a proteção do Alto Vale, ainda está na fase de licitação. E parte da estrutura antiga da Oeste, em Taió, foi desmontada mas ainda não tem previsão para revitalização, segundo a Defesa Civil.

O que é o super El Niño

El Niño é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que provoca mudanças em temperatura e chuva no mundo inteiro. Os episódios mais intensos ficaram conhecidos como “Super El Niño” — 1982/1983, 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024. O ciclo atual, iniciado em 2026, é apontado pelos institutos climáticos como candidato a entrar nessa lista.

Reciclagem editorial com base em reportagem do ND Mais e dados da Defesa Civil de Santa Catarina.

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