Dia Internacional da Cerveja: médico e ex-cervejeiro explica o que a loirinha faz de bom (e de ruim) com o teu corpo

Nesta sexta (7) é o Dia Internacional da Cerveja. Anestesiologista formado homebrewer conta os benefícios do malte e do lúpulo — e os perigos do excesso.

Médico José Francisco Vasques Ayres
Foto: Dr. José Francisco/Arquivo particular

ITAJAÍ — Nada como um “sextou” com um gostinho a mais pra comemorar, ainda mais quando o dia é dela: da cerveja. Nesta sexta-feira (7) se comemora o Dia Internacional da Cerveja e, aqui na região, a data cai a cerca de dois meses do começo das festas alemãs. Boa notícia pro setor — e, com moderação, pra tua saúde também.

O Brasil nunca teve tanta cervejaria

O Anuário da Cerveja 2026, que tem 2025 como ano de referência e é publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), contabiliza 1.954 estabelecimentos espalhados por 794 municípios brasileiros — o maior número da série histórica. Cresceu também a quantidade de produtos registrados e o valor das exportações bateu recorde: US$ 218,4 milhões.

No mercado artesanal, o giro é de cerca de R$ 15 bilhões por ano, considerando o ecossistema ampliado do craft beer — produção, varejo, bares, restaurantes e canais especializados. E adivinha quem manda nesse pedaço: a região Sul, com 40% do mercado.

Chope sendo tirado na torneira
Foto: Freepik

Malte e lúpulo têm o seu lado bom

Quem explica é o médico José Francisco Vasques Ayres, anestesiologista que atua em Brusque, Blumenau e região — e que entende do assunto por outro motivo: é formado homebrewer pela Escola Superior de Cerveja e Malte, de Blumenau, e produziu a bebida durante seis anos.

“Tanto o malte quanto o lúpulo, componentes essenciais da cerveja, possuem algumas substâncias benéficas à saúde, como algumas vitaminas, assim como as do complexo B, silício, que ajuda a fixação do cálcio nos ossos, minerais, substâncias conhecidas como polifenóis, que ajudam na regulação do perfil lipídico, aumentando o colesterol bom, o HDL, possui flavonoides com ação antioxidante e anti-inflamatória, que também exerce algum tipo de proteção no sistema cardiovascular”, diz o médico.

Ele lembra ainda do lado psicológico: em doses e frequência adequadas, a bebida ajuda um pouco na socialização, no controle do estresse e, em alguns casos, até no controle da insônia.

Sem álcool, low carb, sem glúten: tem pra todo mundo

Vasques destaca que o mercado se abriu pra todos os públicos. “Temos como exemplo a cerveja sem álcool, que está cada vez mais popular, com diferentes marcas no mercado. Existem as cervejas conhecidas como low carb, que possuem uma quantidade bem menor de calorias. Existem também as cervejas sem glúten, para as pessoas portadoras de doença celíaca — que registrou um crescimento na produção de mais de 400%, segundo o Mapa —, e também as cervejas artesanais, as quais, por conterem apenas água, malte, lúpulo e fermento, não possuem adjuntos como xarope de milho e algumas substâncias químicas como conservantes e antioxidantes.”

Canecas de cerveja com malte e lúpulo
Foto: Freepik

E o lado ruim, que ninguém pode ignorar

O excesso cobra caro. “Na intoxicação aguda, podemos destacar alterações de humor, equilíbrio, desinibição e perda do juízo crítico. No uso crônico, podemos destacar alterações neurológicas, como encefalopatia, demência, agudização de transtornos psiquiátricos, que podem levar tanto a desorganização no trabalho quanto na família”, alerta.

A lista segue: esteatose, cirrose e até câncer no fígado, gastrite e alguns tipos de câncer no sistema digestivo, pancreatite, alterações da glicemia, elevação da pressão arterial e problemas cardíacos, como a miocardite alcoólica.

Tem gente que não pode, de jeito nenhum

O médico reforça que algumas pessoas devem passar longe da bebida: gestantes, pra evitar malformações fetais; mães que amamentam; menores de 18 anos; quem já teve dependência de álcool ou de outras substâncias psicoativas; quem usa antidepressivos e ansiolíticos; quem vai dirigir ou operar máquinas; e ainda pessoas com doenças do fígado e do coração, renais crônicos, portadores de arritmias e com histórico de crises convulsivas.

Caneca de cerveja sobre mesa de madeira com cevada e lúpulo
Foto: Freepik

Beba com moderação — e não dirija

Pra fechar, Vasques puxa uma frase do médico suíço Paracelso, do século 16: “a diferença entre o remédio e o veneno pode ser apenas a dose”. Ele lembra que, segundo a Organização Mundial da Saúde, não existe dose segura para o consumo de álcool, embora muitos estudos apontem como referência até duas latas por dia para homens e uma para mulheres — cada lata equivale a 15 gramas de álcool. E recomenda pelo menos dois dias consecutivos por semana sem beber nada.

As dicas finais são simples: conhecer os próprios limites, saber quanto álcool tem em cada bebida, comer antes, beber bastante água durante, não virar muita coisa em pouco tempo. “E o mais importante: se beber, não dirija”, alerta o médico — de olho em quem já marcou aquele encontro pra comemorar o Dia Internacional da Cerveja.

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