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Ações educativas já rodam em escolas, unidades de saúde e associações do São João, São Vicente, Cordeiros e Cidade Nova — bairros que vão receber os primeiros Aedes aegypti com Wolbachia, bactéria que bloqueia a transmissão de dengue, zika e chikungunya.

ITAJAÍ — A cidade tá se preparando pra um combate diferente contra a dengue: soltar mosquitos de propósito. Só que não é qualquer mosquito — são Aedes aegypti carregando a bactéria Wolbachia, que bloqueia a transmissão de dengue, zika e chikungunya. A largada acontece entre o fim de agosto e o começo de setembro, e antes disso as equipes rodam em bairro por bairro explicando pros moradores o que vem por aí.
A soltura começa por São João, São Vicente, Cordeiros e Cidade Nova. São regiões escolhidas pelo perfil de circulação do Aedes e pela densidade populacional — pontos onde o método tem mais chance de “colonizar” o mosquito local e diminuir os casos de arbovirose ao longo dos meses.
A Wolbachia é uma bactéria natural, presente em cerca de 60% dos insetos do mundo — mas normalmente ausente no Aedes aegypti. Cientistas descobriram que, quando o mosquito é infectado com ela em laboratório e depois solto na natureza, ele deixa de transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana. E o efeito se propaga sozinho: as fêmeas passam a bactéria pros descendentes, e a população de mosquitos com Wolbachia cresce a cada geração.
Não é veneno, não é transgenia e não pica mais que o mosquito comum. É o mesmo Aedes, só que “vacinado” contra os vírus.
A tecnologia é aplicada no Brasil pelo Programa Mundial Mosquito (WMP), da Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde e prefeituras. Em Santa Catarina, cidades como Blumenau, Balneário Camboriú e Joinville já rodam o método — e Joinville virou polo de produção dos ovos. Itajaí entra na leva de expansão.
Desde julho, o município está na fase de mobilização social: as equipes visitam escolas, unidades básicas de saúde, associações de bairro e espaços públicos apresentando o projeto pra comunidade. A ideia é que ninguém se assuste quando vir os potinhos de soltura aparecendo nas ruas ou quando as equipes forem até as casas.
Nada muda no combate cotidiano ao mosquito — continua valendo tudo:
O Wolbachia não substitui o combate ao criadouro. É uma camada extra — uma que a ciência tem mostrado que funciona.