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Nesta quinta (3) e sexta (4), mergulhadores desceram ao Pallas — navio inglês naufragado em 1893 durante a Revolta da Armada, na entrada do Porto de Itajaí. Estudos coordenados pela Univali com o Porto de Itajaí (convênio de R$ 310 mil) vão definir como o casco será removido. A retirada, bancada pelo Governo Federal, é pré-requisito pro aprofundamento do canal.

ITAJAÍ — Debaixo do rio Itajaí-Açu, dorme desde 1893 o “Titanic de SC” — o navio Pallas, naufragado há 133 anos. Nesta quinta (3) e sexta-feira (4), mergulhadores desceram ao fundo pra encarar de perto os destroços, em uma missão feita com correnteza forte e visibilidade praticamente zero. É a etapa final dos estudos que vão definir como o casco será removido — obra bancada pelo Governo Federal e considerada um desafio de nível internacional.
Os mergulhos aconteceram próximo à Bacia de Evolução nº 2 e ao molhe norte, em Navegantes. A equipe coletou informações sobre a estrutura do navio, retirou amostras do aço e fez cortes experimentais no material. Tudo pra entender como o casco poderá ser cortado, movimentado e retirado com segurança quando a operação de remoção começar.
O acompanhamento é feito pelo professor Jules Soto, diretor do Museu Oceanográfico da Univali. “Estamos em uma etapa fundamental do estudo. Mesmo com visibilidade praticamente zero e forte correnteza, contamos com mergulhadores altamente capacitados pra coletar informações essenciais sobre a estrutura da embarcação”, explica. E completa: “Estamos falando de um desafio de nível internacional, pelas condições adversas do local e pela complexidade de uma operação que poucas empresas especializadas no mundo têm capacidade de executar.”
O navio virou obstáculo pra o crescimento do canal do Porto. Hoje, os destroços limitam o aprofundamento do canal a 16 metros. Retirando o Pallas, dá pra avançar no aprofundamento e concluir a adequação da Bacia de Evolução nº 2, que prevê 530 metros de diâmetro — o que vai permitir manobra e operação de navios de maior porte no Complexo Portuário de Itajaí.
“A retirada do Pallas é uma ação estratégica, porque eliminará um obstáculo histórico e permitirá avançar no aprofundamento do canal e na ampliação da bacia de evolução”, afirma Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí.
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas fazia o transporte de cargas e passageiros entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. O naufrágio aconteceu em 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada. O navio atingiu pedras submersas na região do Pontal da Barra de Itajaí — hoje território de Navegantes, próximo ao molhe norte.
Os destroços só voltaram a ser identificados em 2017, durante trabalhos de dragagem pra a nova bacia de evolução. Levantamentos indicam que o navio pode estar partido ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio.